Naquele dia tive uma surpresa das melhores na selva chamada Rio de Janeiro. Saia para trabalhar quando recebi uma ligação do Sergião Quagliato como todo mundo chama por causa de sua mãe, mas que tem um nome mais cumprido quando se inclui o igualmente honroso “Teixeira da Silva” por parte de seu pai. Com sua empresa de som, ele estava contratado para fazer um evento no autódromo de Jacarepaguá, ali, a uns 15 minutos de minha casa na divisa da Barra/Recreio/Jacarepagua, e marcamos de sair após nossas jornadas de trabalho, ele ali e eu no Jardim Botânico. Mas, ocorreu que não ligou mais, desapareceu e não atendia ligações. Tinha juntado uma galera para exibir o amigo de infância como sempre faz quem mora longe de Capivari. Todo mundo foi, mas eu nem notícias de Sergião tinha. Sorte que não era ele que ia pagar a conta. Hoje ele exibe uns cortes no peito e faz saber que caiu doente em pleno trabalho e que seu único contato importante era  Deus e seus anjos que, milagrosamente, o trouxeram de volta em 90 dias.  Estive na loja dele na Barão do Rio Branco e ele desatou a falar do seu amigo pai palmeirense, adorado, que ele nos ensinou a admirar desde sempre. Com uma foto do velho pendurada na parede, Sergião inventa produtos de som e se reinventa com vontade de viver agora muito mais do que nunca.   É sempre uma diversão dedicar um tempo à lembrança de pessoas que  construiram quem somos e o que somos como realidade populacional. Seu Hernani Teixeira da Silva fez tudo que deu para marcar sua passagem pelo mundo.  Era filho do severo Bento Teixeira da Silva e dona Concília Ferraz Teixeira da Silva, irmã do mais famoso dos seleiros da localidade, Brasilio que muitos chamavam de seu Basílio por causa do livro de Eça de Queiroz o Primo Basílio.   O poeta Padre Fábio de Melo, num verso, deu conta de descrever uma pessoa com as características de nosso estimado Ernane: ‎"
Quem me dera pudesse compreender os segredos e mistérios dessa vida, esse arranjo de chegadas e partidas; essa trama de pessoas que se encontram, se entrelaçam e misturadas ganham outra direção." O velho Hernani tinha todas as virtudes em seu silencio abnegado, falava o mínimo, porém se comprometia com tudo. Casado com a poderosíssima dona Ignês Quagliato,  viveu  metade em Capivari e metade em Elias Fausto. Avós de 5 netos, são seus filhos e filhas: Débora, Hernani Jr, Sergio,  Silvia Feres e Renata Pereira. Genro de um dos caciques locais do MDB nas décadas de 60/70, o ex-prefeito Luiz Quagliato, era filiado ao partido opositor ao sogro e sua família. Como família do sogro entenda-se principalmente o  seu cunhado, dr Júlio Forti Neto, também do MDB, casado com a profa Maria Aparecida Quagliato, herdeiros políticos do  prefeito que morreu no cargo. Seu Hernani, profissionalmente, era coletor e trabalhava na Prefeitura Municipal de Elias Fausto. Foi um nome regional do PDS como Fred Jorge em Tietê, Miguel Jalbut em Monte Mor, Adilson Maluf em Piracicaba. Foi seu Ernane que, numa solenidade com a presença do presidente do distrito L4 do Lions Clube, me recomendou ao jornalista Francisco de Aguirre Proença, segundo editor do Correio. Coisa que o Flávio Proença apoiou com vontade própria. Grandes coisas o velho Hernani fez por Capivari,   como sócio e até como presidente várias vezes do Lions. Ele também figurava como assíduo jogador de baralho no Capivari Clube. Tomara que tenha ganhado mais que perdido. Como sempre é em quase tudo na vida!

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