SOBRE PEDIR EMPREGO E EMPREGAR NA PANDEMIA....
Fiz essa experiência com a gente aqui. Num dia me publiquei-me diretor do projeto que lançamos. E no outro me apresentei como pedindo emprego.
Na semana que se encerrou no sábado, 27. Candidatei-me a umas vagas de emprego em particular e baixei a arte do “open to work” na campanha de apoio a quem está aberto para trabalhar.
Foram muitos parabéns! Zero sinto muito. Culpa minha, óbvio. Confundo da mãe aos algarítimos das plataformas.
Chamar a atenção sobre si mesmo, sua necessidade, suas causas, seu produto e sua prestação de serviço está caro e praticamente fácil, mas parece impossível.
Ainda hoje o que é improvável parece impossível.
Aberto para trabalhar até outro dia também atendia pelo nome pomposo de “disponível para o trabalho”, que, antes um pouco, chamava-se “disposto à novas experiências”.
Com o fim de esconder a dor de estar desempregado a própria circunstância leva uns e outros e o cruel sistema principalmente a darem um nome com diferentes significados para substituir o velho, bom, exaustivo reconhecimento, duro imaginar, que esteja desempregado.
Contratantes de multiformes tribos seguem achando, na verdade, que quem é bom não fica desempregado. Que sempre haverá algo para ele ser aproveitado onde sempre esteve.
Então reconhecer que alguém esteja “desempregado”, ou ver-se nesse contexto com nitidez, parece mesmo quase baixo estima, auto depreciação, desempoderação, uma coisa!!!!
Por que?
Só que empregado é empregado, desempregado é desempregado.
Empreendedor é empreendedor e não desempregado, disponível para o trabalho sempre, aberto a novos projetos e vida que segue.
Por isso pedi emprego no Linkedin de domingo a domingo. Quis ver como um cabelo branco, negro e pretendo à vera, se sairia ou seria recebido.
Comportei-me como tal dando ao universo e ao sistema alguma chance de me surpreender.... Deu em nada. Sabe como foi?
Há poucos generosos no meio da multidão. Há também quase nada de responsabilidade social nessa direção pelo pouco de interação que fui capaz de fazer.
Primeiro, o numero de pessoas a aceitarem o meu pedido de aceitação com a marca de desempregado no perfil caiu mais de 70%. Como identicamente o numero de solicitações que bombavam anteriormente.
O sistema algarítimo me jogou para plataformas que vendem serviços compulsórios para desesperados e restou-me os votos de gratidão, porque são na verdade, para pessoas no quadro em que me enquadro, a única porta aberta.
Senti, com sinceridade, que o #Linkedin faz mesmo o que pode por pessoas em situação de desemprego, os open to work que já vão além dos 13 milhões no Brasil, segundo o IBGE.
Jovens têm mais chances que os outros, ao que tudo indica. Brancos ainda também, já na largada. Cheguei a cruzar com problemas que só conto em particular para meus amigos mais chegados.
Rapadura é doce mas não é mole. Vou tirar o open to work de lá e tentar ajudar as 8 pessoas negras desse túnel escuro enquanto tenho vida e saúde. Antes que seja tarde, tentemos tipificar os desempregados, para o bem geral da Nação.



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