O último dia 27 marcou o 124º aniversário do poeta maior da história literária de Capivari, Rodrigues de Abreu. Por ele e por seu legado exaltamos na crônica de hoje um poeta dos dias atuais, Francisco Hoppe, do Grupo Casa Destelhada. 

Certos amigos são quase irmãos. Sei tudo do poeta Chico Hoppe, protagonista de uma vida cheia de encontros e despedidas.

Filho do casal Mário de Barros Hoppe/Eugenia Martins de Toledo, irmão de 5, Chico aprendeu bem cedo a fazer amigos e influenciar pessoas.  “Nessa trajetória encontrei muita gente boa: vizinhos, colegas de primário, ginásio, colegial, da Escola Técnica de Contabilidade, do Tiro de Guerra, Associação dos Fornecedores de Cana com Beto Sachs; estagiário na Caixa Econômica Estadual, Lurdinha Paschoalini principalmente; bancário no Itaú, Ronei Antonio Ferrari”.

Enfatiza: “Ana, esposa querida, sempre ao meu lado, me incentivou e me deu Mayra, nossa filha. Agora em outro plano, Ana estará sempre em nossos corações. Na Unimep quando cursei a Faculdade de Ciência Jurídica e muito depois o Mestrado, várias pessoas foram importantes na minha vida, entre elas a dra. Ana Lucia Sabadell orientadora”, conclui.  

Chico trabalhou como delegado por 35 anos. Em Rio Claro foi titular da Delegacia Seccional de Polícia, mas em Piracicaba residiu e trabalhou por mais tempo, tendo recebido o título de Cidadão Piracicabano. Como professor de Direito Penal e Filosofia do Direito ampliou horizontes e compartilhou conhecimentos.

No Curso Especial, com Policiais Militares graduados, conheceu várias pessoas de grande valor na segurança pública, inclusive na Academia de Polícia de Londres, Inglaterra.

Aquele menino que admirava poetas e poemas sentado na praça deles com a gente, sobrevive no velho Chico a ponto de, ele mesmo, tornar-se um proeminente senhor dos versos e reversos. Como bom capivariano dedica-se com admirável empenho ao mundo das artes, poemas, contos, artes plásticas, desenho como esse retrato de Cora Coralina e pintura da ilustração:

 

1.       Esperançar  (Chico Hoppe)

Em meio a tanto berro,/a esperança foi parida,

nasceu de sonhos,/dos que podiam ainda sonhar.

Ninada em berço de chão,/vingou de tetas miseráveis,

ali se aquentou e foi feliz.

Cresceu, virou moça,/enamorou o verbo,

se fez carne e aconteceu,/esperançar.

....

1.       2. Capivari - A minha elegia (Chico Hoppe)

Ah, desse canto/não quis embora,

num rio de pranto/saudade chora.

ficar já não podia/levei então o canto,

o acalanto,/da tua luz poesia.

e bem longe de ti,/bem noutras terras,

tão igual nada  vi,/bela como eras.

mas do que sentia,/tanto mais havia,

a tua poesia/que o meu peito lia.

 

 

1.       3. Meus momentos (Chico Hoppe)

Noites são passageiras, o tempo vai passar, tudo tem seu momento, perfeito momento, um último momento breve, o sentimento; mas qual esquecimento rouba meus momentos, será o tempo ladrão? ora, sempre haverá momentos que o tempo não pode apagar;

vivi momentos.  viver deve ser a cada momento e outros momentos que virão; houve momentos que vivi  loucura, enfeitiçado por sua doçura, no tempo que era só nós e os lençóis;

há momentos em que me habitam e vão-se embora, mas são eternos; momentos que valem uma vida; momentos que me chegam e esqueço dos tempos mortos;

se você não vem, me socorrem os momentos, mostram o caminho meu bem; momentos tão bons que virou mania de querer de novo viver essa fantasia;

e assim vamos vivendo com cada pedaço de vida, mesmo no atrevimento do acaso, do momento suspenso, da espera, da expectativa do nosso melhor momento;

sei também de momentos que se perde a ilusão, de silêncio, de dor e solidão, de lábios pedindo perdão;

sei que os momentos conversam se a vida valeu a pena ser vivida mas como saber se outros momentos virão?

houve momentos intensos diversos que fizeram emergir meus sentimentos imersos e cantar, chorar e sorrir cada um dos meus versos; foram momentos de sins e de senões que depois viraram canções.

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