Feliz dia do professor. Confúcio escreveu: “O mestre disse a um dos seus alunos: queres saber em que consiste o conhecimento? Consiste em ter consciência tanto de conhecer uma coisa quanto de não a conhecer. Este é o conhecimento”.
Lembrou Rubem Alves que “há
escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”, ideia completada por Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o
que sabe e aprende o que ensina”.
São quase 16 horas deste 10 de
outubro. Estou rezando sozinho, sentado diante do computador e do mistério da
vida, pensando, aos detalhes, nas rigorosas aulas no Grupo Augusto Castanho e
no Ginásio padre Fabiano de dona Therezinha.
Daqui 5 dias chega a festa do
professor, coisa que, ao sair essa edição, já terá sido pretérito perfeito,
pois estaremos, se sobreviventes, no dia 16 de outubro. O tempo é tão cruel e
tenaz que enquanto hoje faltam 5 dias, ao chegar o texto impresso na sua casa,
estará já além, sobrando um dia. Assim vai a vida como está no livro do
Eclesiastes da Bíblia, que fala da brevidade do tempo, o tempo em que em geral
as pessoas parecem contar mais pela possibilidade de passa-lo do que de
vivenciá-lo com intensidade; hoje em dia, pelo vicio em consumir coisas e
acumular dinheiro, todo mundo corre desembestado como quem foge de si mesmo.
Aos educadores que são muitos em Capivari, aos
que dedicam suas vidas a gerar sentido à vida dos outros, a fim de que não
passem pelo mundo apenas acumulando dias no tempo, mas intensidade nos dias.
Não sejamos acumuladores mas compartilhadores, não competitivos mas
colaborativos. Isso é possível apenas com educação e cultura, solidariedade,
amor e fé.
Enquanto escrevia essa crônica,
tão emocionado quanto agradecido, o corpo físico já cansado da professora
Therezinha Breciani Pazzianoto pairava sobre as nuvens iniciando sua viagem eterna, a partir do
cemitério de São João Batista, onde se juntará aos eternos moradores do local.
Durante muito tempo senti medo
dela. Mas, considero-me, orgulhoso e, sem medo de errar, ter sido e ser um
amigo. Ela dificilmente falava com a gente fora da escola. Porém, as vezes,
quem puxava assunto ganhava umas frases contundentes e rápidas, misturadas a um
sorriso contido e com olhar muito, mas muito desconfiado, sempre, sempre.
Porém, nem tenho como dizer, toda vida senti que aquela professora amava o
próximo mais do que a si mesma.
Lembro-me como dava flores para
ela nas aulas. Dava flores e ela me devolvia aquele sorrisinho com alguma
fruta, geralmente maçã. Professores para conquistar os alunos não precisam de
esforço, mas de dedicação ao preparar e apresentar suas aulas.
Dificil olhar uma maçã, onde quer
que esteja, que não me reporte a ela, a
vida toda. Dona Therezinha carregava uma alegria interior só dela e de quem
soubesse perceber. Imagino seu rosto no
caixão, deve ter ficado meigo, com seus trejeitos italianíssimos. Faleceu em
Capivari no dia 10 de outubro de 2021, viveu 91 anos de idade a dona
Therezinha. Lá do céu há de continuar
zelando por seus filhos Ricardo, Osvaldo e Claudia, e, se sobrar um tempinho
com certeza olhará também pelos demais parentes e por nós amigos enlutados e com saudade.
Mestre não morre, vira exemplo,
faz história rediviva em outras histórias no tempo. Fica no registro do mundo
como algo indispensável na terra, dizia o pedagogo Paulo Freire, que completou
centenário no ultimo 19 de setembro.
Juro que irei sempre homenagear
os professores e professoras que me ensinaram alguma coisa, valorizando seu
papel de mestre na educação! Ninguém nunca conseguiu me transmitir algo bom sem
primeiro me conquistar. Que nenhuma professora ou professor perca esse seu dom
para ensinar e para manter o foco no futuro do aluno. É graças ao seu
profissionalismo que a sociedade se sente evoluindo, e as famílias, de bem com
a vida. Tudo que somos hoje, é certo que devemos ao trabalho impecável e duro
de cada professor ou professora que cruzaram nosso caminho. Até sempre, dona
Therezinha. Parabéns a todos os profissionais da educação. Todo amor a vocês!!!!
profissionais da educação.

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