O QUE DIZER À SUA MELHOR AMIGA?
O que dizer à sua melhor amiga? Tudo, né? Principalmente se ela mesma vive dizendo que “muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade, que não existe, pois o que existe na vida são momentos felizes”. Confirma Oscar Wilde: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.
A minha melhor amiga foi a
primeira a ser vacinada contra o COVID-19 em Capivari. Dona Julia Juliani Piai é bonita, alegre,
otimista, bondosa. Confiante em Deus, na vida e no amor, ela irradia fé e
esperança pelos olhos, pelos gestos e pela voz.
Mãe de Tarcísio, José Maria casado com Sueli Talassi, Maria Júlia e Paulo
Henrique casado com Daniela Sampaio, avó da profa. no Laura Quagliato Carolina Piai, da advogada Priscila e da jornalista Rafaela; bisavó de Valentina e Enzo. Mama Júlia conta uma linda história de amor e saudade vivida com o marido Henrique Piai, que ajudou Capivari a crescer na agricultura, no comercio, na democracia e na religião como ministro da Eucaristia da Matriz São João Batista.
Os Juliani, os Piai e os Armelin vieram todos
juntos da Itália. E as irmãs Armelin, Catarina e Giusepina, se entrelaçaram na
geração seguinte. Catarina, casou-se no Brasil com José Maschieto, quando
tiveram, entre outros, a filha Maria, mãe de dona Julia. Avó
de Henrique Piai, marido de dona Júlia, Giusepina veio veio da Itália casada
com Domenico Piai, e geraram em Capivari os filhos Joanim, Luiz, Angelo, Giacomo,
Tereza Brugneroto Luiza e Pierina. Dona
Julia, no tempo de escola era chamada de Juventina, pois seu nome é Julia
Juventina. Hoje bem cuidada pelos filhos é assistida pela sobrinho
cardiologista, Dr Dairo Bicudo Piai, consagrado em Piracicaba.
Fui parar nessa família nas primeiras
férias pelo recesso do seminário, e, sem ter para onde ir, padre Eusébio me
colocou ali para conviver numa família. Ganhei do Zé Maria um apelido italiano:
Gijo, que na Itália significa Luiz. Quando desisti de ser membro do clero
fizemos reunião com todos os homens da família lá no Formigão em que apresentei
meus motivos. Onde recebi um conselho: “se não vai mais ser padre, seja útil à
sociedade como cidadão”.
Pela família dona Júlia deu o
sangue, ao que, agradecido, me incluo. Nona perfeita para Valentina e Enzo hoje,
começou cedo no amor e na caridade cuidando de seus avós, do sogro, do marido e
dos filhos. Filha do espirituoso Tomaz Juliani (primogênito de Miguel Juliani e
com a meiga Maria Maschieto, (filha de José Maschieto e Catarina Armelin) ela é
caçula dos 5 irmãos: padre Miguel
(Claretiano), Antônio, Juliano, monsenhor
Luiz Gonzaga Juliani (padre na Vila Paulista em Piracicaba por muito tempo).
Padre Eusébio levou de dona Júlia
as mais cândidas lembranças. Com seu marido Henrique foram, entre poucos,
acolhedores do velho sacerdote ao percorrer a via crucis do próprio Calvário
nas provações dos últimos dias.
Nós rezávamos costumeiramente o
terço após o boa noite do Cid Moreira no JN. Seu Henrique desligava a tv, não via novela de
jeito nenhum. Lembro-me das celebrações da Palavra que fazíamos no Zuim (hoje
sede campestre da Cultura), Bial (agora casa popular dos bairros Caraça, São
João e São Pedro), Capela Nossa Senhora Aparecida, Vito Poreli, Ventania e
outros sitiantes ao redor de Capivari no tempo do Cursilho de Cristandade, em
que haviam grandes pregadores católicos leigos como Alexandre Batagin, Waldemar
e Amadeu Dal Fabro, Lando Mantoan; nós
íamos com nosso violão e, com o coração sincero de quem estava ali para louvar
e agradecer a Deus, ouço ainda a voz de dona Julia e seu colar balançando pelo
movimento do pulmão e do corpo ao ritmo de: “Voltei, meu Pai. Voltei pro meu
lugar, o que passou ficou pra traz, agora eu quero é caminhar”.
Inteligente e maravilhosa dona
Júlia percebe aos 93 anos tudo ao seu redor com invejável lucidez; é a alma
mais pura que conheço e o maior coração que já vi. Qualquer pessoa que a ela
acorre nunca sai sem o que precisa. Cumpre a missão de forma grandiosa ao olhar
para traz e ver que sua vida é semelhante ao poema pegadas na areia que ela
gosta de ouvir cantada pelo padre Antônio Maria.
Quando moravam na roça muitos
sábados fui do Lar de Jesus até lá com bicicleta do Sergio Fritz. Estrada da
Usina Santa Cruz, pelo Rossi, hoje sede campestre da Cultura, loteamentos São
Joao e São Pedro, uma grande distancia pela calorosa recepção dos abraços, papo
legal, piadinhas inocentes, leite da vaca, pão feito em casa e doce de abóbora.
Tomara que mama Júlia receba com alegria esse gesto de amor e gratidão, comendo
o pudim do Ki Pudim que enviamos.

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