BbbQueridos Ana é Mu Carvalho 


Antigamente não era assim no cotidiano deles. O casal se pertencia em amor e dava tudo certo. Mas a situação foi se deteriorando e fugiu do controle há algum tempo. 

Naquele momento, ela não conseguia entender o que ele fazia enquanto ouvia tantas palavras aceleradas, aos gritos e ofensa, em tom de revolta e fúria. Saiam da boca dela feito veneno. Um veneno agressivo que batia nos timpanos de ambos e voltava ferindo mais forte ainda a autoestima dela.

Dentro daquela casa, uma tempestade constante.  Reinava a incomunicação e o desinteresse. Os dois estavam em busca de si mesmos. Nada ia bem entre ela e ele, nem como casal nem como amigos, depois de quase 30 e poucos anos  juntos.

Nada é para sempre, mas a brevidade do tempo, quando no desprazer da infelicidade, parece nunca passar. Que os mortais que tentarem a sorte de eternizar o amor conjugal tentem crer no respeito e no diálogo como direitos mutuamente invioláveis.

A comunicação bilateral faz falta numa conversa; só o amor e respeito podem manter o diálogo são e salvo em todos os seus requisitos essenciais. Talvez por isso a conversa do casal nunca dava certo como nunca dava certo vê-los sorrindo felizes. A rotina mata a espontaneidade da relação e a capacidade das pessoas se suportarem. Cria depressão e ansiedade por todos os lados. Como lemos em Eurípedes Barsanulfo: “Irmãos, sede os vencedores da rotina escravizante. Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões. O espírito deve ser conhecido por suas obras. É necessário viver e servir. É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que o pó!”

Quem tem alguém na vida, dentro de casa, ao seu lado no trabalho, por onde passa na rua, na igreja, enfim, deve tentar não perder o interesse pelo próximo nem a vontade de ouvir o que os outros têm a dizer. Ouvir e falar é a competência mais importante em tudo na vida.

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