ALINNE ARAÚJO, ESTAMOS DIANTE DE UMA NOVA PALAVRA: CYBERBULLING
Após ser abandonada na véspera do casamento, Alinne deu a final feliz que podia para a sua imaginada vida de princesa, improvisou uma cerimônia solo e fez a festa da mesma forma.
vivemos tempos em que tudo é possível, desde que seja aceito por todo mundo. Caso contrário, bom caso contrário a reação da pessoa torna-se inimaginável, como no caso da noiva da vez que, infelizmente, levou muito a sério o ciberbulling de uma geração de incógnitos.
Após ser abandonada na véspera do casamento, Alinne
improvisou uma cerimônia solo ao jeito dele num local coberto de requinte e ostentação para uma oportunidade claro, pelo visto, ela considerava como sua única.
E olha que Alline era uma competente influenciadora digital. Devia conhecer mais do que nós os altos e baixos da vida e a sasonalidade da opinião de um internauta em fúria de ataque de risos seja pelo que seja, de velhos nus dançando rock ao que vimos que aconteceu com ela e foi parar na rede mundial de computadores.
A morte da influenciadora Alinne Araújo, de 24 anos,
reacendeu um velho debate sobre o impacto do cyberbullying nas redes sociais. Vimos isso em profusão durante a campanha eleitoral em que o povo, feito massa de manobra, se degladiava por lideranças políticas caçadoras de votos e de garantias para a continuidade do estatus quo político, onde feio mesmo continua sendo honesto.
Abandonada pelo noivo na véspera da cerimônia, a blogueira, que já sofria de
depressão, tentou dar a volta por cima com um casamento solo. Sua atitude, no
entanto, foi severamente criticada por vários seguidores, que a acusaram de
mentir para se promover.
Desesperada pelo visto, submetida à vergonha inexplicável e confinada num isolamento impensável, na tarde do dia 15 de julho, deu uma solução menos criativa para a data do seu casamento, Alinne tirou a sua própria vida para evadir-se da vergonha.
Nisso, os
comentários ofensivos foram apagados e deram lugar à mensagens de solidariedade.
Em seu movimentado perfil no Instagram, famosos lamentaram a tragédia e reagiram com
indignação aos ataques sofridos pela moça:
Para “uma pessoa que tem depressão severa
e decidiu fazer o que ela fez [casar sozinha] foi lindo”, deixou anotado a sua colega blogueira
Alexandra Gurgel:
“Esses comentários mataram ela. O nível de crueldade foi sem
medida. Foi tão grande que causaram a morte dela”.
Segundo levantamento do Instituto
Ipsos, o Brasil é o segundo país que mais pratica cyberbullying no mundo, o que pode-se entender como um sintoma de como anda a saúde mental e emocional do brasileiro:
“Quanto mais baixa a autoestima da vítima for, mais graves serão as
consequências causadas pelas agressões online”, explica a psicóloga clínica
Marilene Kehdi.
Para entender sua luta contra os transtornos mentais
De acordo com a terapeuta Nathalia Evanger Léria, os
ataques virtuais podem ter sido um gatilho para a crise da influenciadora, mas
não são determinantes:
“Os processos emocionais e psicológicos pelos quais
alguém com depressão e ansiedade passa são muito complexos”
Alinne não escondia sua luta contra a ansiedade e a
depressão, e chegou a compartilhar na web os episódios de tentativa de
suicídio.
Três meses antes de sua morte, ela desabafou sobre mais uma crise:
“Desde sexta, quando fui fazer a prova do meu vestido de noiva, me sentia sem
amigos. Fui me afundando, até que chegou na segunda e decidi que não queria
mais viver.
Tomei todos os meus remédios e fui socorrida rápido”.
Durante o
relato, Alinne ainda aconselhou os seguidores: “Tomem muito cuidado com o que
vocês falam e prestem atenção aos sinais que as pessoas dão. Faz diferença”
Os bastidores da fama
Aos olhos de mais de 300 mil seguidores, Alinne
Araújo era considerada uma pessoa pública.
Mas, segundo Marco Bolido, advogado
especialista em crimes digitais, isso não significa que seu perfil fosse
território livre para ofensas:
“Ela estava sujeita ao ônus e o bônus da posição
que assumiu, mas não significa as pessoas que fizeram os comentários pudessem
prejudicar a imagem dela”, alerta o advogado.
Hoje em dia se busca notoriedade instantânea a troco de uma vida mais fácil, pelo sucesso a qualquer preço. Almejado por muitos, o status de celebridade na web
pode ter contribuído para sensibilizar a blogueira.
Segundo Nathalia Léria,“ para uma pessoa que
está passando por transtornos emocionais, esse contato com um público tão
grande pode ser prejudicial pois a exposição aos mais variados tipos de
opiniões pode intensificar os gatilhos das doenças psicológicas”.
Além disso, a
fama de Alinne e o anonimato dos agressores também faziam com que ela ficasse
mais exposta: “Os haters geralmente escolhem suas vítimas por diversos motivos
com o intuito de usá-las com objeto para demonstrar superioriadade e controle.
E enxergam na sua vítima o escape para todas essas emoções mal direcionadas”.
Haters na mira da Justiça
As redes sociais, por sua própria natureza, se
transformam em um grande tribunal, no qual as condutas são validadas ou
condenadas por um like, explica Felipe Barreto Veiga.
Os comentários publicados na rede social de Alinne devem ser
analisados de maneira isolada para discutir se há ou não responsabilidade
penal:
“É um caso paradigmático pois chegou a uma situação extrema. Se existiu
um comentário que deu a entender que ela deveria atentar contra a própria vida,
a situação fica mais grave. Pelo artigo 122 do Código Penal, seria induzir o
outro ao suicídio. Nessa situação, os pais da vítima poderiam instaurar um
inquérito”, conforme o advogado paulista Marco Bolido no portal r7.
Aos que já sofreram com ataques semelhantes, os
advogados aconselham recolher o máximo de provas possível e tentar restringir o
acesso dos agressores:
“Para qualquer pessoa que esteja no ambiente eletrônico,
o mais importante é diminuir os impactos disso através da própria
Para os especialistas, o importante é não deixar que
os haters fiquem impunes:
“Hoje vivemos um cenário de um hiato legislativo que
tem sido prejudicial para a saúde da sociedade como um todo. Essas situações
geram um mal muito grande na vida das pessoas e existe uma sensação de
liberdade e impunidade para esse tipo de conduta. É aconselhado que todos que
se sintam ofendidos procurem as autoridades. ”



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