ONTEM, HOJE E AMANHÃ
Escrevo esse
post com olhos mais empiristas do que analíticos.
Só sei me
ver dentro do universo religioso. De nenhum outro saberia falar tão bem e com
tanta consciência.
Como ex
sacerdote nos anos 80/90, vivendo uma juventude inteira dentro do universo
religioso, seja no kardecismo pela infância e adolescência, seja no catolicismo
dai em diante, seja no mundo evangélico como psicoterapeuta que atende enes
pastores e pastoras desse tempo.
Depressão no
altar: quando padres e sacerdotes precisam de ajuda
André
Bernardo
Do Rio de
Janeiro para a BBC Brasil
30 abril
2017
Compartilhe
este post com Facebook Compartilhe este post com Messenger Compartilhe este
post com Twitter Compartilhe este post com Email Compartilhar
Direito de
imagemMARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Image
caption
Padre
celebra missa de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; como
outros trabalhos, vida sacerdotal pode provocar estresse e depressão
No último
dia 16 de novembro, o padre Rosalino Santos, de 34 anos, publicou no Facebook
uma foto de quando era garoto.
O pároco da
igreja de São Bartolomeu, em Corumbá (MS), parecia triste. Escreveu frases
soltas na legenda, como "Dei o meu melhor" e "Me ilumine, Senhor".
O que
parecia ser um desabafo se tornou um bilhete de despedida. Dois dias depois, o
corpo do sacerdote foi encontrado, enforcado, dentro de casa.
O suicídio
do padre Rosalino não foi um caso isolado. Oito dias antes, o padre Ligivaldo
dos Santos, da paróquia Senhor da Paz, em Salvador (BA), já tinha colocado
ponto final em sua história. Aos 37 anos, atirou-se de um viaduto.
Suicídio:
como falar sobre o ato sem promovê-lo
Por que é
tão difícil frear a escalada da obesidade infantil?
Doze dias
depois, outro caso. Pela terceira vez em menos de 15 dias, um sacerdote
encerrava a própria vida. Renildo Andrade Maia, de 31 anos, era pároco da
igreja de Jesus Operário, em Contagem (MG).
"A vida
religiosa não dá superpoderes aos padres. Pelo contrário. Eles são tão falíveis
quanto qualquer um de nós", diz o psicólogo Ênio Pinto, autor do livro Os
Padres em Psicoterapia (editora Ideias e Letras).
"Em
muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar momentos
difíceis", afirma Pinto, que atua há 17 anos no Instituto Terapêutico
Acolher, em São Paulo (SP), voltado ao atendimento psicoterápico de padres,
freiras e leigos em serviço à Igreja.
Desde a
fundação, em 2000, o instituto estima ter atendido cerca de 3,7 mil pacientes,
com média de permanência de seis meses a um ano.
Estresse
ocupacional
O eventual
comportamento suicida de sacerdotes intriga clérigos e terapeutas. Para
especialistas consultados pela reportagem, há vários possíveis fatores: excesso
de trabalho, falta de lazer, perda da motivação.
"O grau
de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo,
modelo de virtude e santidade", afirma o psicólogo William Pereira, autor
do livro Sofrimento Psíquico dos Presbíteros (editora Vozes).
Direito de
imagemAGÊNCIA BRASIL
Image
caption
'Espera-se
que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade', diz psicólogo
autor de livro sobre sofrimento de sacerdotes
"Qualquer
deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa
ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda", diz.
Pesquisa de
2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do estresse, apontou
que a vida sacerdotal é uma das profissões mais estressantes.
Naquele ano,
448 entre 1,6 mil padres e freiras entrevistados (28%) se sentiam
"emocionalmente exaustos". O percentual de clérigos nessa situação
era superior ao de policiais (26%), executivos (20%) e motoristas de ônibus
(15%).
A psicóloga
Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirma que padres diocesanos, que
trabalham em paróquias, estão mais propensos a sofrer de estresse do que monges
e frades que vivem reclusos.
"Um dos
fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não
interessa se estão tristes, cansados ou doentes, padres têm que estar à
disposição dos fieis 24 horas por dia, sete dias por semana."
Problemas
terrenos
Em 8 de
janeiro de 2008, o padre José Chitumba ingressou na fazenda Santa Rosa, em
Garanhuns (PE), uma das unidades do projeto Fazenda da Esperança, de
recuperação de dependentes químicos em mais de 15 países.
"Quando
caí em depressão virei alcoólatra, pensei em suicídio, perdi o ânimo para
rezar. Passei oito meses sem celebrar missa. Achei que aquela noite não teria
fim", recorda Chitumba, de 62 anos, hoje pároco da Igreja de Santo
Antônio, em Chiador (MG).
A vida
sacerdotal é mais atribulada do que se costuma imaginar. Inclui celebração de
batizados e casamentos, visita a doentes, sessões de confissão, aulas em
universidades, presença em pastorais.
Dados de
2010 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ajudam a entender essa
demanda: havia no Brasil naquele ano 22 mil padres para 123 milhões de
católicos, uma média de um padre para cada 5,6 mil fiéis.
Direito de
imagemAGÊNCIA BRASIL
Image
caption
No Brasil
há, em média, um padre para cada 5,5 mil fieis católicos; 'Sobra trabalho e
falta tempo', diz diretor de casa de repouso para religiosos
"Sobra
trabalho e falta tempo. Se não tomar cuidado, o sacerdote negligencia sua
espiritualidade e trabalha no piloto automático", adverte o padre Adalto
Chitolina, um dos diretores do centro Âncora, casa de repouso em Pinhais (PR)
que atende padres e freiras com diagnóstico de estresse, ansiedade ou
depressão.
"Ao
longo de 2016, nossa taxa de ocupação foi de 100%. Em alguns meses, tivemos
lista de espera", afirma.
Crescimento
constante: taxa de suicídio entre jovens sobe 10% desde 2002
O padre
Edson Barbosa, da paróquia Nossa Senhora das Graças, em Andradina (SP), foi um
dos religiosos atendidos no centro paranaense.
Há dois
anos, dormia pouco, comia mal, andava irritado. Mas o alarme soou quando
começou a beber além da conta. Em julho de 2015, pediu dispensa de suas
atividades paroquiais e passou três meses no centro Âncora, entre consultas
médicas, palestras de nutrição e exercícios físicos.
"Não
sei o que teria acontecido comigo se não tivesse dado essa parada. Demorei a
perceber que não era super-herói", afirma. Sóbrio há um ano e nove meses,
o padre, de 36 anos, trocou o álcool por caminhadas e trajetos diários de
bicicleta.
Preocupação
na cúpula
Reitor do
seminário São José de Niterói, o padre Douglas Fontes diz estar atento à saúde
mental dos colegas. Em pregações, costuma alertar os futuros sacerdotes para a
necessidade de cuidarem mais de si mesmos.
"Jamais
amaremos ao próximo se antes não amarmos a nós mesmos. E amar a si mesmo
significa levar uma vida mais saudável. Tristes, cansados ou doentes não
cumpriremos a missão que Deus nos confiou."
Direito de
imagemARQUIVO PESSOAL
Image
caption
Padre Edson
Barbosa, de Andradina (SP), buscou ajuda especializada para superar vício em
alcool
Dom Jaime
Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da comissão da CNBB que
se ocupa da vida dos padres, diz que sacerdotes devem pedir ajuda ao bispo de
sua diocese em caso de tensão psicológica ou esgotamento físicos.
"Os
padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E nesta família cabe
ao bispo desempenhar o papel de pai e, como tal, zelar pelas necessidades dos
filhos", afirma.
Outros
locais do mundo também registram casos de padres com problemas psicológicos.
Uma pesquisa
da Universidade de Salamanca, na Espanha, ouviu 881 sacerdotes de três países
(México, Costa Rica e Porto Rico) e identificou incidência alta de transtornos
relacionados à atividade.
"Três
em cada cinco experimentavam graus médios ou avançados de burnout, a síndrome
do esgotamento profissional", registrou a autora da pesquisa, Helena de
Mézerville, no livro O Desgaste na Vida Sacerdotal (editora Paulus).
Droga contra
depressão pode parar Alzheimer e Parkinson, dizem cientistas
Na Itália, o
burnout é conhecido por alguns sacerdotes como a "síndrome do bom
samaritano desiludido".
Naturalmente,
sacerdotes católicos não são os únicos sob risco.
"A
natureza do trabalho é a mesma. Logo, estamos sujeitos aos mesmos riscos",
avalia o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP). O
sheik Ahmad Mazloum, do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu (PR), faz coro.
"É
preciso satisfazer, de maneira lícita e correta, as necessidades básicas do
espírito, mente e corpo. Caso contrário, estaremos sempre em perigoso
desequilíbrio", alerta.
16 frases da
mulher que NÃO ERA “bela, recatada, do lar”: Frida Khalo
Revista
Pazes
Por Revista
Pazes - abril 20, 2016
Compartilhar
no Facebook Tweet no Twitter
Frida foi
uma mulher como você e eu. Não era um objeto sexual que servia de decoração nas
horas vagas.
Marcada por
sua própria existência, pelos grandes golpes que a vida lhe deu e por seu
imenso amor por Diego Rivera, sua vida foi repleta de infortúnios que nunca
cessaram. Frida foi uma mulher desafiadora, vaidosa, apaixonada e com uma
capacidade desmedida de amar que, naturalmente, deixou, em suas palavras,
valores que ultrapassam fronteiras.
Conheça
alguns de seus mais famosos dizeres:
“Pés, pra
que te quero, se tenho asas para voar?”
“Amuralhar o
próprio sofrimento é arriscar que ele te devore desde dentro”
“A dor, o
prazer e a morte não são mais do que o processo da existência. A luta
revolucionária neste processo é uma porta aberta à inteligência”
“Doutor, se
me deixar tomar essa tequila, prometo que não vou beber no meu funeral”
“Ao fim do
dia, podemos aguentar muito mais do que pensamos que podemos”
“A vida
insiste em ser minha amiga, e meu objetivo meu inimigo”
“Não há nada
mais bonito do que o sorriso!”
“O que não
me mata, me alimenta”
“Pensaram
que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, apenas minha
própria realidade”.
“Nada é
absoluto. Tudo muda, tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparece”
“A beleza e
a feiura são uma miragem, pois os outros sempre acabam vendo nosso interior”
“Tentei
afogar minhas mágoas, mas as malditas aprenderam a nadar, e agora estou
sobrecarregada com essa decente e boa sensação”
“Há alguns
que nascem com estrelas e outros com mais algumas, e mesmo que você não queira
acreditar, nasci com constelações…”
“Eu
costumava pensar que era a pessoa mais estranha do mundo, mas então pensei, há
muita gente no mundo, tem que existir alguém como eu, que se sinta bizarra e
danificada da mesma forma que eu me sinto. Consigo imaginá-la, e imagino que
ela também deve estar por aí, pensando em mim. Bom, eu espero que se você
estiver por aí e ler isso, saiba que, sim, é verdade, eu estou aqui e sou tão
estranha quanto você.”
“Queria te
dar tudo o que nunca teve, e nem assim você saberia a maravilha que é poder te
querer”
“Pode-se
inventar verbos? Quero inventar um: Eu te céu, assim minhas asas se tornam
enormes para te amar sem medidas.”


0 Comentários