Estamos falando de todas as casas rosas que transmitem cultura e educação. Mas de apenas um filósofo, Carlos Lopes de Mattos, brasileiro que fez história em sua própria casa rosa perpetuada por sua mulher Virginia. Ele traduziu Leibnitz e escreveu sobre Aristoteles, Tomás de Aquino e Farias Brito. 
  

Concorda? “O intelectual é um homem que diz uma coisa simples de maneira difícil; um sábio é um homem que diz uma coisa difícil de maneira simples”. (Charles Bucowski).

A sábia família Mattos chegou em Capivari em 1949 com alguns filhos. O jovem casal Carlos e Virginia escolhera Capivari para lecionar filosofia e cria-los com outros que nasceram aqui. Capivari teve sorte, pois um filósofo é importante na sociedade pela clareza no entendimento da realidade para distinguir entre certo/errado, bom, justo, coisas concretas/abstratas. O conceito remonta ao filósofo grego Pitágoras (VI a.C.), citado pelos antigos como o inventor da palavra. É quem ama a sabedoria, movido pela consciência lúcida da ignorância inerente à condição humana.

 “Todos que tiverem oportunidade, devem estudar filosofia para aprender a pensar de forma ordenada, entender os mistérios da vida”, disse-me o altivo Carlos Lopes de Mattos com dedo em riste e testa franzida de quem inventava o mundo falando. Capivari teve nesse ilustre filósofo e professor de filosofia uma oportunidade impar de entrar no mapa do conhecimento. Tudo isso mantem-se firme no ultimo endereço em que ele viveu, através dos seus discípulos, discípulos de sua musa inspiradora dona Virginia Mattos, igualmente brilhante. Como também seus oito filhos, feito satélites retransmitindo aquela experiência familiar cristã fundamentada na cultura e na educação.

 Toda ação humana é precedida por uma elucubração mental.  A filosofia é um fio condutor do comportamento que a sociedade muitas vezes nem percebe. Pensar é fundamental, a maioria das pessoas pensa automaticamente, mas pensa.

Generosos os Mattos abriram o ponto de cultura “Casa Rosa_Memorial Virginia e Carlos Mattos” sob direção da brilhante Dani Canto, filha de Cida Bresciani com Roni do Canto. Finalidade: democratizar o conhecimento, difundir a cultura iniciando por eternizar personalidades como o patriarca deles nos ensaios “A COISA EM SI”. A filha Maria Augusta Mattos cedeu um link no qual podemos encontrar Tarsilla do Amaral, Padre Eusébio, Rodrigues de Abreu e muitos outros, cuja pesquisa convém sugerir que continue ad eternum.

Na casa rosa sempre aconteceu de tudo em educação, cultura, política, análises, publicações e rodas de conversas sobre cidadania. O dr Carlos escrevia nos jornais daqui, inclusive no JCR. Naquele tempo eu mesmo ia de bicicleta buscar os artigos e lia todos com seus autores, especialmente seu João Campagnolli, prof. José de Almeida, pe Eusébio e dr. Carlos. Tive centenas de oportunidades de perguntar para ele sobre muita coisa que o deixava curioso sobre meu nível de interesse pelo conhecimento. Ali, muito antes do seminário, me apresentou os grandes autores, quase sempre todos da Grécia/Alemanha/Áustria/Roma/Paris.

Ah Paris! Nenhuma viagem à Paris é completa sem algumas horas passadas num dos seus famosos cafés, para fazer o que os parisienses mais gostam: ver a vida passar! A Casa Rosa nos transfere para a Paris do pensamento, da articulação, da leveza de uma vida sem pressa, da intelectualidade, da arte. Nenhuma das vezes em que pisei em solo parisiense deixei de lembrar das mãos marianas de dona Virginia servindo aquelas delicias para os convivas enquanto, calado, o marido não tirava o olho nem os ouvidos de ninguém. Era a cara de Paris; uma vez, no café Angelina da rue de Rivoli,  entre um vinho e outro o apresentador Zeca Camargo babou me ouvindo falar do café Virginia.

 Que as próximas gerações aproveitem o denso trabalho do icone Carlos Lopes de Mattos, que valorizou grandes autores como Farias Brito. Um tributo emocionado com respeito pelo que fez em prol das ideias filosóficas brasileiras. Homem singular, saiu do Brasil para estudar filosofia na famosa e tradicional Universidade de Louvenne, Bélgica. Sua bibliografia impressiona com as  valiosas traduções de Leibntz, que faz parte da Coleção Os Pensadores.

Um seminarista para ser ordenado padre precisa estudar quatro anos de teologia e antes pelo menos três da filosofia do grego Aristoteles repaginada por São Tomás de Aquino, na qual Carlos Lopes de Mattos era doutor. Como houve na historia muitos filósofos agnósticos e ateus, ele não só educou os filhos na fé católica, como  dedicou sua vida a ajudar a Igreja  diante do negacionismo. Foi seu principal objetivo restaurar a filosofia tradicional de caráter espiritualista e  fundar uma crítica radical ao pensamento positivista que negava a existência do espírito.

Na "História das Ideias Filosóficas no Brasil" Antonio Paim o menciona como “valioso crítico e comentador da presença dos beneditinos brasileiros nos séculos XVII e XVIII. Há muito ainda para falar desse ilustre filho adotivo de Capivari e de sua família.   Vamos à casa rosa?

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